Startups têm longo caminho até que uma ideia se transforme em empresa

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Brasileiro tem cada ideia. “Imagina uma blusa com corte em V com zíperes do lado, uma manga de pele de onça e a outra de pele de zebra?”, sugere um rapaz. “Uma festa de aniversário onde pudesse ter um ofurô, um massagista e uma manicure”, propõe a filósofa Sheila Paulino. “Meus amigos queriam escutar música. Só que só tem dois lados o fone, né?. Aí eu pensei em quatro porque dá para ela, para ele, várias pessoas e é bem legal”, diz Thaynara de Sousa.

Mas, no mundo dos negócios, não basta ter uma boa ideia. O que determina se o sonho vai virar realidade é, primeiro, quem vai conseguir executar o plano. Como e se pode gerar dinheiro, quanto mais, melhor.

Criar um negócio, a partir de uma folha em branco. Esse é o desafio das startups, empresas jovens que nascem só com uma ideia. Para conseguir todo o resto (dinheiro, funcionários e consumidores), os empreendedores precisam moldar esse projeto, dar forma, rumo e transformar o que estava no papel em algo concreto. Se as escolhas forem as certas, a ideia pode decolar.

Há 2,8 mil startups mapeadas no Brasil, mas a estimativa é que existam mais de 10 mil. E elas estão mudando os nossos hábitos: ficou mais fácil pegar táxi, estudar, escolher um restaurante, comprar roupa, mobiliar a casa. Mas, para sobreviver à concorrência e ganhar espaço no mercado, é preciso enfrentar uma maratona.

O Jornal da Globo acompanhou os passos de três startups, desde 2013. Empresas que descobriram um Brasil cheio de oportunidades, ganhando novos horizontes e descobriram que inovar não é fácil.

A Cristina nós conhecemos em 29 de abril do ano passado. Ela tinha acabado de passar pelo “pitch”. “Foi entusiasmático, foi nervoso e tudo, mas correu bem”, diz Cristina Cho, sócia da HelloUniverse.  Mas o que é “pitch” mesmo?

Vem do inglês: “elevator pitch”, algo como papo de elevador. É como se, imagine, acontecesse um encontro casual do empreendedor com o investidor. Uma chance de apresentar uma proposta e criar um negócio, no tempo da viagem pelos andares.

Na prática, os encontros são marcados. Em um deles, o auditório estava lotado e tempo contado no relógio. “A gente investiu com recursos próprios R$ 200 mil. Então, a gente vendeu casa, carro, que a gente tinha guardado durante um tempo e colocou do bolso porque nós acreditamos nisso”, conta um empreendedor vendendo a sua ideia.

Nem sempre a isca funciona. Por isso, encontramos a Cristina ansiosa. Ela e a equipe já tinham apresentado o projeto deles: uma empresa de tradução por telefone.

“Nós idealizamos esse serviço, já pensando na Copa do Mundo e Olimpíadas, porque nós teremos até lá quase 29 milhões de turistas e só 2% da população brasileira fala inglês”, afirma Cristina Cho, sócia da HelloUniverse.

Será que os avaliadores gostaram?

“A gente está olhando muito hoje a capacidade de execução e a qualidade do time. Porque, no final do dia, ideias, já escutei milhares, tem muitas ideias criativas boas, mas o que importa é a capacidade de pegar essa ideia, tirar do papel e fazer isso acontecer. E quem faz isso é o time”, diz Carlos Pessoa, diretor da aceleradora Wayra.

“Um cara que tem uma ideia, que acredita nela e que sabe, que mostra que vai botar a energia dele atrás disso, isso vale muito. Esse é o primeiro teste dos muitos que esses empreendedores vao ter ao longo da carreira deles”, conta Daniel Cardoso, diretor executivo da Telefonica/Vivo.

Os projetos escolhidos ali ganhariam R$ 100 mil de uma empresa de telefonia. O suspense durou pouco. “A gente recebeu mais de 200 propostas de negocio durante esses meses, e selecionamos quatro. A terceira empresa selecionada é a HelloUniverse”, é anunciado.

“Agora deu uma relaxada. Estou tremendo”, conta Cristina Cho, após o anúncio de que a sua empresa havia sido aprovada. “É o que a gente estava querendo desde o começo: a chance de trabalhar”, confessa Saul Jair Ishida, diretor de TI.

E eles trabalharam muito. Em 2013 e em 2014, de olho nos turistas da Copa. Mas esbarraram nos problemas de infraestrutura do Brasil. Só conseguiram desenvolver o projeto na Coreia do Sul.

“O que demoraria aqui no Brasil dois anos, no mínimo. Lá [na Coreia do Sul] a gente conseguiu terminar em duas semanas”, conta Cristina Cho, sócia da Hello Universe.

 

Fonte: JORNAL DA GLOBO