Spray de vidro protege contra água, sujeira e germes

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Parece água, mas não é: Vidro líquido deixa o ar passar, mas protege contra sujeira, tintas e até bactérias

Vidro líquido não é nenhuma novidade: esquente seus copos a 1.500°C que eles se derretem. Só que se você esfriar o material, ele volta a ficar duro — e quebrável. Agora, no entanto, a nanotecnologia permite criar um tipo de vidro que escorre feito água mesmo à temperatura ambiente e promete deixar o futuro mais limpinho.

Quando se aplica o vidro líquido sobre uma superfície, ele seca e forma uma camada de cerca de 100 nanômetros que a protege de riscos, de água, de sujeiras e até de contaminação por micro-organismos (veja ao lado). Uma empresa britânica de pesquisa na área de alimentos testou o produto e concluiu que ele pode reduzir em até 99% a contaminação por bactérias perigosas, como as Salmonellas.
A sujeira que gruda sai com mais facilidade — o que permite uma economia de produtos de limpeza. Em cidades na Alemanha, na Turquia e na Áustria, o produto protege monumentos e o mobiliário urbano contra pichações.

Lá fora, a tecnologia também já é usada pela BMW, para proteger seus carros contra riscos, e pela prefeitura de Londres, que “blindou” suas ambulâncias. “Aqui, estamos negociando com hospitais, redes de fast-food e empresas de proteção de carros. Os restaurantes já estão testando o produto nas áreas de cozinha que ficam mais sujas. Nos carros, a ideia é proteger o para-brisa”, diz Paulo Loria, diretor do Grupo DPM, empresa que comercializa a tecnologia no Brasil. Ainda não há planos de vender o produto diretamente ao consumidor, que poderia usá-lo, por exemplo, para proteger suas roupas.

Pois é, uma das coisas mais surpreendentes da tecnologia é que ela pode ser aplicada até sobre tecidos, para impermeabilizá-los e para proteger de manchas. Como a camada de vidro líquido pode ser tão fina, ela não afeta o caimento das roupas, além de deixar o ar passar e de ser flexível — dá para esticar o tecido tratado em até duas vezes seu tamanho original que a estrutura nanométrica não “quebra”.

Editora Globo
Infográfico: Alex Affonso