Quem são os profissionais mais raros no Brasil (e por quê)

image_pdfimage_print

Carência de competências, avanços tecnológicos e situação econômica explicam escassez de talentos no país; conheça os profissionais mais difíceis de encontrar.

Profissionais das áreas de finanças,engenharia, TI e vendas estão em falta no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pelo ManpowerGroup.

“São áreas com forte apelo técnico”, comenta Márcia Almström, diretora de recursos humanos da empresa responsável pelo levantamento, cuja versão global entrevistou mais de 37 mil empregadores.

Isso quer dizer que é só lidar bem com números e o emprego está garantido? Não é bem assim, segundo a executiva. Almström explica que, associadas a competências técnicas, também estão em falta as chamadas ‘soft skills’ ou habilidades mais ‘brandas’, ligadas a gestão e liderança, por exemplo.

“Para se dar bem num mercado tão sedento por eles, esses profissionais raros precisam construir sua carreira além do conhecimento técnico e buscar outras qualificações”, afirma.

Dos 42 países focalizados pela pesquisa, o Brasil é o 4º com maior escassez de talentos, empatando com a Argentina.

“Entre outros motivos para essa situação, há um grande aumento da competitividade, avanços tecnológicos e lacunas na formação profissional”, explica Almström.

Além dos profissionais já citados, no ranking também figuram operários, motoristas, técnicos e trabalhadores de ofício manual. A seguir, veja lista dos 10 profissionais mais buscados no Brasil:

1. Operários

Operários trabalham na produção de motos na linha de montagem da fábrica da Honda, em Manaus

São os profissionais que fazem qualquer tipo de trabalho braçal em diversos setores da economia, como indústria, agricultura e comércio.

Por que estão em falta: “Está difícil encontrar quem tenha experiência como operário”, aponta Márcia Almström, diretora de RH do Manpower Group. De acordo com ela, o mercado está esvaziado pela busca natural dos profissionais por ocupações mais qualificadas e consequente aumento de renda.

Posição no ranking em 2014:

Posição no ranking em 2013:

2. Técnicos

Pessoa usa computadores

São profissionais formados em cursos com duração habitual de 2 anos. Exercem tanto funções gerenciais quanto operacionais em diversas áreas, como automação, alimentos ou edificações, por exemplo.

Por que estão em falta: Segundo Almström, nos últimos 30 anos, pouco se investiu em cursos para formar técnicos no Brasil. “Hoje, colhemos os frutos de privilegiar o ensino superior, e só colheremos os frutos de programas como o Pronatec daqui a alguns anos”, diz.

Posição no ranking em 2014:

Posição no ranking em 2013:

3. Motoristas

Caminhão Cegonha da Vix Logística

Os condutores de veículos mais escassos são os ligados ao transporte de cargas, isto é, os motoristas de caminhão.

Por que estão em falta: Ser motorista hoje não é só saber dirigir – e a mão de obra não tem acompanhado as novas exigências. “Pela evolução dos meios de transporte, esse profissional precisa dominar diversas tecnologias, como o GPS, além de painéis e dispositivos cada vez mais sofisticados presentes nos caminhões”, explica Almström.

Posição no ranking em 2014:

Posição no ranking em 2013:

4. Secretários pessoais, assistentes administrativos e auxiliares de escritório

Mulher utilizando computador

São profissionais que exercem funções de apoio à administração, articulando o trabalho cotidiano do escritório e facilitando fluxos.

Por que estão em falta: Novamente, faltam competências exigidas pelo mercado atual. Isso porque faz parte do passado a figura da secretária que só atendia telefonemas e anotava recados. “Hoje é preciso dominar idiomas, ter conhecimento em programas como Excel e dominar ferramentas online de teleconferência, por exemplo”, explica Almström.

Posição no ranking em 2014: 4º

Posição no ranking em 2013:

5. Trabalhadores de ofício manual

Eletricista consertando fios

São profissionais autônomos que empregam habilidades específicas, tais como eletricistas, costureiras, sapateiros, pintores e encanadores.

Por que estão em falta: A situação se deve à movimentação da força de trabalho na direção de atividades com maior qualificação. “Esses profissionais têm buscado formação para melhorar de vida, e acabam abandonando suas ocupações antigas”, diz Almström.

Posição no ranking em 2014:

Posição no ranking em 2013:

Fonte: EXAME