Fifa cobra 4G do Brasil para evitar “black-out” de comunicação na Copa das Confederações

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Quem comparecer aos estádios para assistir aos jogos da Copa das Confederações, que acontece em junho, pode ter problemas para se conectar à internet. Dois meses antes do início da competição o Brasil ainda não possui uma cobertura 4G consistente, como a prometida pelo governo ainda em 2007 quando o país foi escolhido sede da Copa do Mundo de 2014. A Fifa, preocupada com um possível black-out de comunicação, cobra das lideranças políticas uma solução para o problema.

“A única coisa que podemos fazer é acreditar no que o governo diz, que haverá tecnologia 4G. Temos de ter paciência”, disse o diretor geral de comunicação da Fifa, Walter de Gregorio.
Durante a Copa das Confederações, mais de 4 mil jornalistas estarão presentes na cobertura dos jogos e será necessária uma conexão de qualidade para atender a demanda dos profissionais, que transmitem informações e imagens quase simultaneamente de dentro dos estádios. “Não posso imaginar um cenário em que os jornalistas não consigam transmitir suas reportagens. É impensável um Black-out desse tipo”, afirmou Gregorio.

A internet móvel de quarta geração promete velocidades bastante superiores às atuais (e os brasileiros usuários de 3G esperam realmente por isso). A primeira licitação da frequência 4G aconteceu em meados do ano passado, com a exigência de que o sinal estivesse funcionando até junho deste ano.

As operadoras de telefonia, no entanto, alegam que o principal problema para a instalação de antenas é a falta de regras claras. O projeto destinado a facilitar a instalação e o compartilhamento das torres de sinal circula no Congresso desde 2012 e ainda não foi aprovado em caráter definitivo.

Em fevereiro, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a Anatel enfrentará dificuldades para cumprir a sua parte do compromisso assumido pelo Brasil de apresentar uma moderna estrutura de telecomunicações, diante da complexidade das contratações necessárias para a execução dos projetos previstos.

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse na sexta-feira que “nem todos os aspectos operacionais estarão a 100%” na Copa das Confederações devido aos atrasos na entrega dos estádios.

O Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, diz estar tranquilo e garante que a infraestrutura de telecomunicações está pronta a tempo e que os estádios terão antenas fixas com sinal 2G, 3G e 4G. “No caso da Telebrás os investimentos quase todos já foram feitos e, no caso das empresas de telecomunicações, elas tiveram um pouco mais de demora por conta da liberação dos estádios, mas são empresas que têm facilidade de investir.”

O que o governo não esperava era uma série de problemas jurídicos e ambientais para a instalação dos equipamentos necessários, principalmente das antenas de sinal 4G. De acordo com uma fonte anônima do governo à Reuters, foi o que provocou atrasos no processo. Ele disse que as autoridades estão seguras de que não haverá problemas com a transmissão dos jogos e com quem utilizar a tecnologia 4G dentro dos estádios e centros de mídia. O que não garantem é o atendimento para os demais usuários ou para quem está trabalhando na Copa fora dessas áreas.


Cobertura do Maracanã, no Rio, foi totalmente instalada na última terça-feira. Foto: Ricardo Moraes / Reuters 

Até o dia 24 de maio a Fifa exige que toda a Infraestrutura esteja pronta para uso da federação e do Comitê Organizador Local, que irão montar os preparativos para a competição. Apenas dois (Mineirão, em Belo Horizonte e Arena Castelão, em Fortaleza) dos seis estádios ficaram prontos dentro do prazo. Um foi inaugurado na sexta-feira (Arena Fonte Nova, em Salvador) e os demais (em Brasília, Recife e Rio de Janeiro) devem ficar prontos até o final deste mês.

Fonte: Adrenaline