Entenda os metadados coletados pelo monitoramento dos EUA

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Jornais que tiveram acesso a documentos secretos sobre os sistemas norte-americanos de monitoramento Prism e Blarney dizem que o governo registra “metadados” de comunicações via internet e também telefonemas. Os metadados são informações diferentes dos dados (o conteúdo da transmissão) em si. Mas o que exatamente pode ser encontrado nesses metadados?

Essa pergunta, apesar de simples, é muito mais complexa do que parece. Não existe uma definição do que seria um metadado, exceto que ele não é o conteúdo em si da transmissão, e portanto é bastante fácil tornar a definição um tanto abrangente.

Metadados podem ser encontrados em vários arquivos que usamos. Fotos tiradas de máquinas digitais, por exemplo, têm como metadados as configurações da câmera, a resolução, a informação de disparo do flash, a data, os direitos autorais e, se a câmera ou celular tiver o recurso, a localização geográfica de onde a imagem foi capturada.

Em arquivos de música, os metadados possuem informações como título e o número da faixa, o artista, o álbum ao qual ela pertence e o gênero. Mas também é possível incluir metadados como a data de gravação, a letra da música na íntegra ou a capa do disco. Em documentos do Word são salvos o título, o nome do autor, o tamanho (número de palavras) e até mesmo o tempo de edição do arquivo.

Arquivos enviados para a internet sem a remoção desses metadados podem facilmente identificar a origem de uma imagem ou documento. Mas essas informações são úteis quando você está procurando um arquivo em seu próprio computador, por exemplo.

Mas e na internet, quais seriam os “metadados”? Uma definição abrangente de metadados poderia incluir a data, o assunto, o remetente e os destinatários de mensagens de e-mail, os endereços de sites visitados e até mesmo uma descrição que as páginas de internet fornecem sobre si mesmas, a hora, o destino e a origem de mensagens de bate-papo, entre outras coisas.

Seria possível entender até mesmo que qualquer informação no Facebook que não seja uma mensagem ou foto seria um “metadado”. Listas de contatos poderiam ser “metadados” – afinal, se você está coletando a origem e o destino de cada comunicação de alguém, acabará, eventualmente, coletando a lista de contatos integral dessa pessoa.

Para chamadas telefônicas, os metadados podem incluir os números, identificadores dos celulares ou dos assinantes (os chamados números de IMEI e IMSI), localização geográfica aproximada e duração da chamada.

Ou seja, mesmo que o governo dos Estados Unidos esteja apenas observando “metadados”, estes não deixam de ter a capacidade de revelar muitas informações sobre nossas vidas. A questão passa a ser: o que o governo norte-americano entende por metadado?

Aparentemente, não há necessidade de registros tímidos. Segundo Brewster Kahle, engenheiro do Internet Archive – uma biblioteca digital que armazena as páginas da internet e todo tipo de conteúdo -, o custo para gravar todas as chamadas telefônicas (e não apenas os metadados, mas as chamadas em si) seria inferior a US$ 30 milhões (R$ 60 milhões) por ano – dentro do orçamento da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês).

Integrais ou parciais, esses registros de metadados, de acordo com a senadora Dianne Feinstein, da Comissão de Inteligência do Senado norte-americano, são “destruídos após cinco anos”. Outra forma de se dizer isso é: o governo fica com todos esses dados – que ainda nem sabemos exatamente quais são – durante cinco anos.

Fonte: G1