Conheça o esquecido ‘pai’ da ferramenta de busca na internet

image_pdfimage_print

Há 20 anos, Jonathon Fletcher inventou o primeiro rastreador da web.

jonathon_fletcher

Google comemorou o seu 15º aniversário já consagrado mundialmente como sinônimo de acesso a informação. Mas se você colocar o nome de Jonathon Fletcher em uma pesquisa no próprio site de buscas, vai ver que nenhum dos resultados imediatos indica o papel que ele desempenhou no desenvolvimento da internet.

Ninguém credita Fletcher como pai do sistema de busca moderno. No entanto, há 20 anos, em um laboratório de informática da Universidade de Stirling, na Escócia, Fletcher inventou o primeiro rastreador (web crawler) para ferramentas de busca na internet – a mesma tecnologia que os poderosos Google, Bing, Yahoo e demais sites do gênero usam atualmente.

Os primórdios

Em 1993 a internet estava em sua infância. O Mosaic, primeiro navegador popular com uma interface parecida à que usamos hoje, tinha acabado de ser lançado e a quantidade total de páginas disponíveis estava na casa dos milhares.

Mas a questão de como encontrar coisas na web não tinha sido resolvida. O Mosaic tinha uma página chamada ‘O que há de novo’, que indexava novos sites à medida que eram criados. O problema é que, para que os desenvolvedores do Mosaic soubessem de um novo site, os criadores tinham que notificar o National Center for Supercomputing Applications (NCSA), da Universidade de Illinois, onde a equipe do navegador estava baseada.

Nessa época, Jonathon Fletcher era um promissor graduando da Universidade de Stirling que tinha recebido uma oferta para fazer doutorado na Universidade de Glasgow. Antes de partir para a nova fase de estudos, o financiamento ao mestrado de Glasgow foi cortado, e Fletcher precisou achar uma forma de levantar fundos.

‘Repentinamente, eu precisava urgentemente de encontrar uma fonte de renda’, lembra ele, ‘então voltei para a minha universidade e comecei a trabalhar para o departamento de tecnologia’.

Ferramenta falha

Foi nesse trabalho que ele conheceu a internet e a ferramenta do Mosaic ‘O que há de novo’. Quando construía um servidor de internet para a universidade, Fletcher percebeu que a página ‘O que há de novo’ tinha uma falha básica.

Como os sites eram adicionados à lista manualmente, não havia como controlar atualizações de conteúdo. Consequentemente, muitos dos links ficavam rapidamente desatualizados.

‘Se você quisesse saber o que havia mudado, tinha que ir clicando ‘voltar’ e procurar até encontrar’, diz Fletcher sobre os links no Mosaic.

‘Com uma licenciatura em ciência da computação e convicto de que teria que haver uma maneira melhor, decidi desenvolver algo que pudesse buscar os sites por mim.’

Aquele ‘algo’ se tornaria a primeira ferramenta de busca da internet. Fletcher chamou seu invento de JumpStation. Ele montou um índice de páginas que poderiam ser identificadas pelo rastreador (web crawler), essencialmente, um processo automatizado que permitia a visita e indexação de todos os links com que se deparava. O processo continuava até o rastreador esgotar os links disponíveis para visita. Dez dias depois, em 21 de dezembro de 1993, JumpStation ficou sem links para rastrear. Tinha indexado cerca de 25.000 páginas.

Até o momento, o Google indexou mais de um trilhão de páginas.

Pouco reconhecimento

Fletcher rapidamente construiu uma ferramenta de pesquisa fácil de usar, e colocou na página ‘O que há de novo’ do Mosaico a primeiro ferramenta moderna de busca.

‘Eu diria que ele é o pai das ferramentas de busca na web’, diz o professor Mark Sanderson, do Royal Melbourne Institute of Technology, que estuda a história do acesso a informação.

‘Havia, obviamente, computadores fazendo pesquisas, mas levava um tempo muito longo. Jonathon foi a primeira pessoa a criar a ferramenta que tinha todos os componentes dos equivalentes modernos.’

No entanto, apesar de os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, serem nomes conhecidos, Fletcher, que agora vive em Hong Kong, recebeu pouco reconhecimento pelo seu papel na evolução da internet. O fato de que seu projeto terminou abandonado não ajudou.

Para o JumpStation crescer, seriam necessários mais investimentos – algo que a Universidade de Stirling não estava disposta a fazer.

‘O programa funcionava em um servidor compartilhado’, explica o Sr. Fletcher. ‘Não havia espaço em disco de memória e os discos eram pequenos e caros.’

Orgulho

Fletcher recebeu algum reconhecimento por suas realizações em uma conferência em Dublin, há algumas semanas, onde participou de um debate com representantes da Microsoft, Yahoo e Google. Mas em seu discurso, ele falou sobre o futuro.

‘Na minha opinião, a web não vai durar para sempre’, disse ele à plateia. ‘Mas o problema de encontrar a informação, sim’.

‘O desejo de pesquisar conteúdo e encontrar a informação independe do meio.’

Atualmente, tais ferramentas fazem muito dinheiro para quem as comercializou, mas o pioneirismo de Fletcher não permitiu a ele colher os louros – e os dólares – de sua invenção. Ele, porém, não lamenta.

‘Meus pais estão orgulhosos de mim, meus filhos estão orgulhosos de mim, e isso vale bastante, por isso estou muito feliz.’

Fonte: G1