Casa Branca admite que monitora telefonemas de cidadãos americanos

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Graças a uma ordem judicial secreta, a Agência Nacional de Segurança recolhe diariamente registros de ligações telefônicas de clientes da operadora telefônica Verizon
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Depois de passar por três escândalos ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a enfrentar críticas em um novo escândalo. Na última quarta-feira (5) o jornal britânico The Guardian revelou que os Estados Unidos estão gravando milhões de registros telefônicos de seus cidadãos, no que vem sendo descrito como a maior invasão de privacidade por parte do governo dos Estados Unidos na história.

Amparado por uma ordem judicial secreta, a Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês) passou a recolher diariamente registros de ligações telefônicas de clientes da operadora telefônica Verizon. A ordem foi emitida em abril, e exige que a Verizon forneça “de maneira contínua” e “diariamente” à NSA informações de todas as chamadas telefônicas, tanto internas como para outros países.

O documento divulgado pelo jornal britânico mostra que o governo Obama monitorou registros de comunicações sem levar em conta se os autores das chamadas já cometeram algum delito. A NSA pode colher essas informações por três meses.

Após a divulgação, a Casa Branca defendeu a medida. Um alto funcionário do governo Obama que pediu anonimato disse a veículos da imprensa americana que a prática é “vital para combater o terrorismo”. “Essa prática permite ao pessoal especializado em antiterrorismo descobrir se terroristas conhecidos ou suspeitos estiveram em contato com outras pessoas que podem estar envolvidas em atividades terroristas, particularmente aquelas localizadas dentro dos Estados Unidos”, disse. O presidente Obama ainda não se pronunciou.

Não é a primeira vez que o governo americano autoriza gravações secretas por motivo de segurança. Após os atentados de 11 de setembro e durante o segundo governo Bush, fontes dos serviços de inteligência vazaram informações para a imprensa sobre a existência dessa prática. O divulgação dos documentos desta semana mostra que a prática continua no governo Obama.

A Verizon e a NSA foram procuradas pela imprensa americana, mas não comentaram. Segundo a ordem judicial secreta, eles não podem revelar ao público a existência do esquema de monitoramento dos cidadãos. Por enquanto, se desconhece se a Verizon é a única operadora afetada pela medida judicial e se o período que cobre a disposição – de três meses – é um caso isolado ou prática habitual.

Fonte: ÉPOCA