Após 1 década, o Youtube ainda não é lucrativo

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* escrito por BIA GRANJA

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Apesar de ter faturado 4 bilhões de dólares em 2014, o Youtube ainda não dá lucro. O faturamento aumentou em 1 bilhão de dólares de um ano pra outro, principalmente por conta da estratégia de vender antecipadamente pra marcas grandes presença nos top 5% dos vídeos que mais bombam e engajam no Youtube, mas o site ainda luta pra conseguir atingir o break even e dar dinheiro, reporta o Wall Street Journal. Depois de remunerar seus criadores e pagar a conta de servidores e toda a infra necessária pra manter o site no ar, praticamente não sobra nenhum dinheiro pra por no cofrinho.

No começo de 2014 eu escrevi um texto chamado “Vídeo é o futuro do mundo social, mas onde está o dinheiro?”. Eu me referia ao mercado de mídia brasileiro que tem 70% de sua verba concentrado na TV Globo, mas aparentemente, roubar dinheiro da televisão é um desafio mundial pro Youtube. Ano passado o Youtube lançou uma campanha de marketing mundial em que colocou alguns de seus principais creators em mobiliário urbano, TV, cinema e aviões, pra tentar mostrar que o site tem conteúdo foda (e com periodicidade), que é profissional e, principalmente, pra atrair o olhar dos anunciantes.

O que acontece que o Youtube, com uma audiência de 1 bilhão de usuários, não consegue ganhar dinheiro? A matéria aponta alguns motivos:

Youtube ainda não é o destino
De acordo com a matéria, um dos principais problemas é que os usuários não vem o Youtube como um destino. Ou seja, eles não costumam abrir o Youtube diretamente e ir atrás da programação que os interessa, como acontece na televisão por exemplo. Apesar do Youtube dizer que a maior parte dos seus acessos vem de pessoas que foram diretamente ao Youtube procurar conteúdo, a matéria aponta que não é bem assim, e que a grande maioria das pessoas consome vídeos do Youtube através de links e embeds em outros sites ou redes sociais.

Apesar do Youtube ter uma audiência grande, eles ainda não conseguiram incutir nas pessoas o hábito de abrir o site diretamente pra acessar conteúdo. Esse comportamento é comum em audiências mais jovens, como teens, mas não pro restante dos usuários. Apesar de estar sempre fazendo esforços grandes pra transformar o Youtube em uma central de entretenimento – como quando lançou sua campanha de marketing no ano passado, executivos do site sabem que teens envelhecem e levam consigo os hábitos que já tem hoje…. principalmente o de não assistir TV e de assinar canais de seus ídolos do Youtube.

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Youtube teria audiência mas não teria
Hein? Apesar de ter 1 bilhão de usuários por mês, o diretor da Accuen (uma empresa de mídia programática do grupo Omnicon) Josh Jacobs afirma que 85% dos views do site vem de 9% dos usuários. Assim, os anunciantes não acham que estão atingindo um número considerável de pessoas diferentes. Mas será que isso faz sentido? 9% de 1 bilhão dá um total de 90 milhões diferentes de pessoas. A maior audiência da televisão mundial é o Super Bowl que 114 milhões de telespectadores. Mesmo se isso fosse uma questão, não é pouca coisa.

Além disso, o modelo de negócios do Youtube é bem mais “justo” pras marca, já que ela só precisa pagar se o usuário REALMENTE assistir à propaganda, o que não acontece na televisão. Você paga por uma audiência bruta, não líquida, já que não necessariamente toda aquela galera que pontua no Ibope assiste aos “reclames do plimplim”.

Inclusive é por isso que anunciar no Super Bowl é muito caro. Não é só pela audiência absoluta, mas porque os anunciantes sabem que criou-se uma cultura de que os comerciais do Super Bowl são tão bons quanto o jogo e precisam ser assistidos. É uma garantia de que ninguém vai mudar de canal ou sair pra fazer xixi ou dar mute ou olhar o celular e as redes sociais ou pegar mais Doritos ou sei lá o que.

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Youtube tem pouco conteúdo de qualidade
Outra coisa que a matéria aponta é que o Youtube não teria conteúdo de qualidade suficiente e que a maior parte dos views vai pra vídeos musicais (que inclusive estão na lista dos mais vistos do site). Além da concorrência do Facebook, Twitter e outros players, ainda tem a Netflix e até a Amazon investindo pesado em conteúdo original e com um perfil mais TV like. Eles citam Brian Weiser, um dos analistas da Pivotal Research, dizendo que se o Youtube quer roubar grana da TV, precisa fazer conteúdo como a TV.

Robert Kyncl, o todo poderoso pica-grossa Head de Negócios e Conteúdo do Youtube, não concorda: “vídeos online estão a beira de uma explosão gigantesca, exatamente como as TVs a cabo há 30 anos”. Ele acha que faz pouco sentido emular um conteúdo televisivo, já que o universo do vídeo online está redefinindo totalmente o mundo do conteúdo. Assim, tem mais a ver investir em “Internet native creators”… a galera da interwebz! \o/

Apesar de uma influência crescente entre as audiências mais jovens, as grandes estrelas do Youtube (que inclusive estão sendo assediadas de um jeito pesado por outras plataformas) não são conhecidas do grande público. A matéria até conta que a própria CEO do Youtube, Susan Wojcicki, declarou em uma palestra ano passado que não conhecia o PewDiePie (maior youtuber do mundo com 35 milhões de inscritos) até ir trabalhar com isso.

Ok, mas ela não é o público e o Youtube, thank god, não se faz apenas com 1 cara. Essa é a beleza da coisa inclusive, não tem 1 canal que monopoliza todas as estrelas, são vários canais que, juntos, concentram uma audiência incrível e lançaram VÁRIAS estrelas, cada uma falando com um público específico.

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E agora, Youtube?
Como sempre, a gigante dos vídeos está super ligada em tudo isso e correndo atrás de resolver alguns pontos (principalmente a questão do youtube como destino e do conteúdo de qualidade). Em termos de grana, eles seguem evangelizando o mercado e tentando quebrar esse pensamento ultrapassado que as marcas tem de que só a televisão salva.

Além disso, duas coisas estão pra ser lançadas esse ano, de acordo com a matéria: mais auto-play e também uma mudança na maneira como os anúncios são tagueados por usuário, fazendo uma integração maior com os dados coletados pelo Google e aumentando a relevância daquele conteúdo de publicidade.

Muita calma, minha gente, o Youtube não está com os dias contados e qualquer pessoa que manja um pouco mais do mundo dos negócios sabe que faturar 4 bilhões num ano não é pra qualquer um. Eles não estão lucrando loucamente, mas também não estão perdendo dinheiro… e a brincadeira dos vídeos online está apenas começando.

Fonte: YOUPIX