10 coisas que os economistas usam em suas análises, mas não contam a ninguém

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Fazer previsões econômicas não é uma tarefa fácil; com isso, o Market Watch listou 10 motivações e influências dos economistas em suas análises.

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SÃO PAULO – Ser economista não é uma tarefa fácil. Além de fazer projeções econômicas levando em conta diversas variáveis que podem afetar os modelos do dia para noite, os profissionais da área também são muito criticados quando os seus modelos ficam bastante distantes da realidade.

Com base nisso, o Market Watch elencou dez coisas que os economistas utilizam nas suas análises para os mais variados eventos sendo que muitas delas, nem mesmo eles imaginam que estão fazendo e que reflete que a economia, apesar de estar intimamente ligada às ciências exatas, está longe de ser apenas baseada em números. Confira:

1. “Nós não podemos prever a próxima crise” 
Em meio às incertezas sobre o futuro, os investidores se voltam mais uma vez para os economistas em busca de orientação sobre o que o está reservado para a economia. Mas um tabuleiro oujia – usado para comunicação com espíritos – poderia atendê-los da mesma forma.

A crise econômica de 2008 surpreendeu boa parte dos profissionais da área, como ressalta o professor de economia da Universidade de Califórnia, Mason Gaffney. E isso não foi um evento isolado, como a do petróleo em 1970.

Mas por que isso? Isso ocorre em meio à impossibilidade de criar um modelo para o mundo, assim como fazer projeções de taxas de juros, rendas e inflação. Além disso, os economistas costumam fazer as projeções baseadas em informações disponíveis para o público, destaca o presidente da Associação Nacional de Economia Empresarial dos EUA, Ken Simonson.

2. “…mas nós podemos ajudar a causá-la”
Contudo, apesar de algumas perspectivas tornarem os investidores despreparados para maiores desastres, o pessimismo de alguns pode contribuir para o crash impactando, por exemplo, a confiança do consumidor.

A opinião dos economistas influencia nas decisões de consumo, assim como a renda e a volatilidade dos mercado. Por isso, conforme aponta Seth Rabinowitz, da empresa de consultoria Silicon Associates, este profissionais possuem uma grande responsabilidade social.

3. “Nós trabalhamos um pouco com chutes”
De acordo com o professor de economia e finanças da Universidade de Michigan- Flint, Mark Perry, mais da metade das previsões econômicas são baseadas na intuição. “Com o tempo, os economistas começaram a perceber que as pessoas são imprevisíveis”, diz ele, e isso os obriga a divergir do que os modelos mais formais podem prever.

Outros dizem que usar um pouco de “chute” pode não ser necessariamente uma coisa ruim, argumentando que os modelos matemáticos são muitas vezes inúteis no mundo real, especialmente quando se lida com eventos como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, entre outros desastres imprevistos. “Os modelos econômicos assumem consistência e previsibilidade ao comportamento real, que é bastante difícil de ser previsto”, afirma John Kay, um dos principais economistas da Grã-Bretanha. 

4. “Previsões ousadas? Culpem a testosterona”
Nos EUA, assim como em boa parte do mundo, a maior parte dos economistas é formada por pessoas do sexo masculino. Apenas 30% das novas economistas são mulheres no país, proporção que vem crescendo apenas de forma modesta nos últimos 18 anos.

E isso pode ter influências nas políticas econômicas. De acordo com uma pesquisa da American Economic Association, homens e mulheres tendem a pensar diferente sobre educação, saúde e políticas de trabalho. Segundo o estudo, as mulheres possuem maior crença de que a atuação do governo nestas áreas é muito pequena e tendem a acreditar que as políticas nos EUA devem trabalhar em prol de uma maior igualdade social.

Além disso, outra conclusão curiosa, de acordo com estudo da Ledbury Research. Os homens teriam maior tendência a se engajarem em previsões mais “ousadas”. E um dos possíveis motivos seria a testosterona, que aumenta o apetite ao risco, aumenta a impulsividade e torna os homens menos propensos a admitirem os seus erros. Assim, a maior impulsividade pode ser traduzida em previsões muito ousadas, que têm mais a ver com a busca pela manchete dos jornais do que correspondência com a verdade, aponta o estudo.

5. “As nossas medidas de prosperidade não funcionam”
Os economistas dependem de muitas medidas para avaliar a saúde dos países, mas elas também não são tão precisas quanto alguns profissionais acreditam ser.

Por exemplo, o PIB (Produto Interno Bruto) não indica necessariamente se uma economia é saudável ou não, ainda mais levando em conta que grandes crises econômicas ocorrem em meio a períodos de crescimento econômico rápido. Além disso, o que significa realmente a taxa de desemprego mais baixa nos EUA ainda gera dúvidas no mercado.

Entretanto, as métricas básicas têm os seus usos, uma vez que, mesmo não diretamente, possuem melhor educação e saúde que as mais pobres.

6. “Nossa ciência não é exata”
As previsões dos economistas normalmente não se confirmam, pelo menos não com a exatidão esperada. “Os economistas são pressionados a serem mais exatos do que a ciência permite”, afirma Lynn Reaser, economista-chefe para a Fermanian Business. Assim, afirma eles reagem rapidamente aos últimos dados, mas em muitos casos é melhor tomar um ponto de vista de longo prazo.

7. “Na política, nós nos inclinamos para a esquerda”
De acordo com estudos feitos nos EUA com base em 2008 – ano em Barack Obama venceu a eleição para o primeiro mandato como presidente da República – 50% dos economistas se declararam democratas e somente 17% republicanos.

Os economistas também possuem uma maior inclinação democrata do que a maioria da população, o que pode influenciar nos seus estudos.  “Nós achamos que o aumento do papel dos economistas na sociedade e na formulação de políticas levou a uma inclinação para maiores intervenções do governo”, escreveram os economistas Scott Beaulier, William J. Boyes e William S. Mounts, em artigo para a The Economist. Outros afirmam que isso só conta metade da história, uma vez que um número expressivo de economistas defende um papel limitado para o governo, mas não é isso que define as tendências políticas.

8. “Nós podemos ter interesses acadêmicos e privados”
Cerca de 70% dos economistas que dão aula em universidades nos EUA têm interesses financeiros fora delas, de acordo com estudos. Mas, apesar desses laços para as empresas e do setor privado, os economistas raramente se identificam com o trabalho na esfera privada, concluíram os pesquisadores.

Economistas devem divulgar o seu trabalho de consultoria e universidades devem ter procedimentos claros de divulgação quando se trata de possíveis questões de ética, avaliam economistas. Por sua parte, os economistas agem bem ao manter o controle de trabalhos de consultoria. “O problema com muitos economistas acadêmicos é que as cabeças estão presas às nuvens – modelos teóricos – e que eles não estão dispostos a tomar uma posição política clara, que é bastante diferente de ter uma agenda”, diz ele.

9. “Nós falamos em uma linguagem secreta”
Nem sempre as pessoas que precisam entendem o que os economistas dizem. Apesar de ser óbvio que em todas as profissões exista a tendência de falar em jargão e, mesmo com a tendência dos economistas buscarem simplificar os termos utilizados, poucos compreendem os conceitos econômicos e financeiros mais básicos. Esta dificuldade por parte da população implica em uso pior das ferramentas financeiras.

10. “Nós vendemos para você o que você já sabe”
A pergunta de que realmente precisamos de economistas para fazer projeções e definir tendências segue em debate, uma vez que as informações que se usam estão em domínio público.

Entretanto, Laurence Ball, professor da Universidade John Hopkins, defende a profissão. “Se você quiser saber o que irá acontecer com a economia daqui há cinco anos, os economistas farão considerações bastante importantes.

Fonte: INFOMONEY