Será que as pesquisas eleitorais são confiáveis?

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Uma pergunta recorrente que nos fazemos após vermos o que aconteceu no 1o turno das eleições é: as pesquisas eleitorais são confiáveis?

Os institutos garantem que sim, pois suas pesquisas são pautadas em critérios técnicos da ciência estatística. Elas representam a população em estudo, pois os grupos sociais e as várias regiões geográficas aparecem na amostra em proporção muito próxima à da população pesquisada. Segundo os institutos, os resultados refletem fielmente o que é encontrado durante entrevistas com a população e independem totalmente dos interesses de quem os contrata.  Mas resultados recentes vem mostrando que tais pesquisas não são tão confiáveis. Vamos aos resultados.

Resultados do IBOPE no 1o turno das eleições

Apesar de ter acertado diversos resultados finais das eleições, o instituto de pesquisas Ibope errou quase a metade das previsões de intenção de votos para cargos executivos envolvendo os principais candidatos no primeiro turno, de acordo com levantamento feito pelo Yahoo Brasil com os últimos dados divulgados pela entidade antes das eleições.

Sobre o percentual de intenções de voto, o Ibope errou 38 previsões (45%)  – inclusive as três avaliações para presidente – e acertou as outras 46 (55%), em um total de 84 estimativas envolvendo pesquisas em 26 Estados, no Distrito Federal e para Presidência da República. O Yahoo considerou apenas as estimativas para os três primeiros candidatos.

Os acertos consideram resultados finais das votações que ficaram dentro da margem de erro anunciada das pesquisas (de 2% e 3%, dependendo do caso) e também dentro de uma tolerância de 0,5% no levantamento do Yahoo para mais ou para menos.

Apesar da imprecisão em boa parte das previsões, o Ibope acertou o resultado final em várias ocasiões, como a eleição em primeiro turno de Raimundo Colombo (PSD) em Santa Catarina e de Fernando Pimentel (PT) em Minas Gerais – mesmo que o percentual de votos tenha sido diferente do estimado.

Reportagem especial do Yahoo em setembro mostrou o argumento de um estatístico veterano, que disse que o problema das pesquisas eleitorais não está no dado total das intenções de voto, e sim na margem de erro divulgada, já que é impossível prevê-la nos padrões metodológicos utilizados – ou seja, essa margem pode alterar drasticamente o resultado.

“O erro é maior do que se preconiza”, disse à época o estatístico José Ferreira de Carvalho, professor aposentado da Unicamp e livre docente pela USP, além de consultor da Statistika, em Campinas.

Talvez o caso mais extremo dentre os erros do primeiro turno seja o do Rio Grande do Sul, Estado no qual Tarso Genro (PT) liderava as pesquisas de opinião com 35%, seguido de Ana Amélia (PP), com 27%. No entanto, José Ivo Sartori (PMDB), que antes marcava apenas 20% nas pesquisas, encerrou a etapa em primeiro lugar, acumulando mais de 40% dos votos do Estado.

No Rio de Janeiro, o Ibope previu que o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disputaria o segundo turno contra Garotinho (PR), mas foi Marcelo Crivella (PRB) quem passou para a fase seguinte.

Outro exemplo é a Bahia, onde a previsão era de que Rui Costa (PT) disputaria o segundo turno contra Paulo Souto (DEM), mas o petista acabou levando no primeiro turno com 54,5% dos votos.

As pesquisas de opinião, embora sejam um termômetro da corrida eleitoral e praticamente a única referência das campanhas sobre a colocação dos candidatos, podem gerar algumas distorções no cenário eleitoral. Por exemplo, um eleitor que apoia X, pode votar em Y, melhor colocado nas pesquisas, para que Z tenha menos chances. Outra distorção pode ser o menor recebimento de doações para as campanhas de candidatos pior colocados nos rankings.

Mas, claro, também há os acertos. O instituto, por exemplo, acertou os percentuais dos três primeiros candidatos para o governo de Espírito Santo, Pará, Paraíba, Sergipe, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por exemplo.

O Ibope Inteligência argumenta “em alguns estados observamos um percentual elevado de eleitores indecisos para governo e principalmente para o Senado até a véspera da eleição. Essa fatia do eleitorado, quando se decide, não se distribui necessariamente na mesma proporção do restante da população, o que acaba ocasionando mudanças de última hora.”

“Mesmo assim, em apenas dois estados tivemos um resultado final diferente do apontado nas pesquisas: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro”, afirmou a entidade em seu website.

Veja abaixo a tabela compilada pelo Yahoo sobre os resultados em cada Estado. O Yahoo publica na quarta-feira o balanço de erros e acertos do Datafolha.

Resultados do Datafolha no 1o turno das eleições

O Datafolha errou 63% por cento das previsões de intenção de votos válidos para cargos executivos envolvendo os principais candidatos no primeiro turno, de acordo com levantamento feito pelo Yahoo Brasil com os últimos dados divulgados pela entidade antes das eleições.

Sobre o percentual de intenções de voto, o Datafolha errou 17 previsões (63%) – inclusive duas presidenciais – e acertou as outras 10 (37%), envolvendo pesquisas em sete Estados, no Distrito Federal e para Presidência da República. O Yahoo considerou apenas as estimativas para os três primeiros colocados no resultado final.

Os acertos consideram resultados finais das votações que ficaram dentro da margem de erro anunciada das pesquisas (de 2% e 3%, dependendo do caso) e também dentro de uma tolerância de 0,5% no levantamento do Yahoo para mais ou para menos além da margem de erro.

Vale notar que o Ibope fez pesquisas de intenção de voto em todos as unidades federativas e para presidência, totalizando 84 estimativas. Já o Datafolha, como consta em seu website, divulgou pesquisas para presidente e para os governos do Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, em um total de 27 estimativas.

Em nenhum dos casos, o Datafolha acertou todos os três percentuais de intenções de voto, e o único no qual errou os três foi no Rio Grande do Sul – uma eleição marcada pelas “surpresas”, considerando que institutos de pesquisa não previram a disparada de José Ivo Sartori (PMDB).

O Datafolha previu corretamente, porém, o percentual da candidata à presidência Dilma Rousseff (PT), mesmo que dentro da margem de erro e tolerância; da vitória de Fernando Pimentel (PT) em primeiro turno em Minas Gerais e do triunfo de Geraldo Alckmin em São Paulo.

Também previu a vitória de Paulo Câmara (PSB) em primeiro turno em Pernambuco, por exemplo, apesar da estimativa percentual ter subvalorizado o poderio do candidato no Estado, assim como de Beto Richa (PSDB) no Paraná.

As pesquisas de opinião, embora sejam um termômetro da corrida eleitoral e praticamente a única referência das campanhas sobre a colocação dos candidatos, podem gerar algumas distorções no cenário eleitoral. Por exemplo, um eleitor que apoia X, pode votar em Y, melhor colocado nas pesquisas, para que Z tenha menos chances. Outra distorção pode ser o menor recebimento de doações para as campanhas de candidatos pior colocados nos rankings.

Segundo o Datafolha, “as pesquisas realizadas na véspera da eleição medem a INTENÇÃO de voto do eleitorado brasileiro um dia antes do pleito. Têm como objetivo apontar tendências, como a ocorrência ou não de segundo turno e quais candidatos passam para a fase final. As pesquisas de véspera não devem ser utilizadas como uma previsão dos percentuais de cada candidato. Além de ainda existirem indecisos um dia antes da eleição, vários fatores agem sobre a elaboração do voto do eleitor até a concretização da intenção na urna. O exercício do voto útil e o conhecimento do número dos candidatos são exemplos de variáveis que podem influenciar os resultados.”

Veja abaixo a tabela compilada pelo Yahoo sobre os resultados em cada Estado que teve pesquisa divulgada no site do Datafolha.