Adolescentes veem futuro na programação

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Na última semana, a Microsoft promoveu oficinas com 300 alunos de colégios públicos e privados de São Paulo para incentivar o estudo da programação. A iniciativa faz farte da campanha “Eu Posso Programar“, que pretende ensinar noções básicas a mais de um milhão de jovens na América Latina.

Durante o evento, estudantes de 12 e 18 anos puderam experimentar a Hora do Código, uma hora de curso do Code.org que é dividida em 20 etapas. Com a ajuda de personagens dos jogos Angry Birds e Plants vs. Zoombies, os alunos puderam entender comandos de código simples ao arrastar blocos para atingir metas.

O resultado das oficinas foi animador e mostrou que a programação é vista, sim, como uma possibilidade para o futuro para os jovens. Talita Machioto e Douglas Alves, alunos da Escola Estadual Joaquin Suarez, participaram do programa. Mesmo sem ter tido nenhum contato anterior com códigos, Talita disse que vai tentar aprender sozinha. “Vou entrar no site, fazer a hora de código e tentar continuar”, prometeu.

Já Douglas foi além e compartilhou seu sonho futuro. “Me interessei pela programação porque é criativo e pode ser uma forma de ganhar dinheiro. Quero fazer um site de filmes no futuro e ter muitos acessos”, disse.

Além dos alunos, professores também foram instigados pelo curso. Marilene Guimarães, professora de português do Ensino Médio da escola, disse que vai tentar incluir programação nas aulas. “Sei o básico de computador, mas depois de vir aqui hoje, minha mente abriu. Agora quero trabalhar nas minhas aulas com tecnologia, principalmente depois de ver que programação é fácil e que trabalha com linguagem”, contou.

Mas a programação não é desconhecida por todos. Ian Alkmin e Rafael Goldstein, alunos do 2º ano do Ensino Médio no Colégio Bandeirantes, participam há algum tempo do curso preparatório para a OBI (Olimpíada Brasileira de Informática) e ao chegarem na sede da Microsoft Brasil, disseram já conhecer algumas das ferramentas demonstradas.

“Programas como o Scratch ou que usam blocos para ensinar códigos não são novidade para nós. Mas para quem nunca programou ou está começando agora, isso serve como um incentivo para começar a aprender porque é algo bem simples”, opina Ian. “Para a gente é algo mais fácil porque já dominamos a língua em si: as letras, o que escrever, a sequência lógica… Mas para quem não sabe nada, ter essa abstração e não precisar decorar comandos e variáveis logo de cara é muito bom para começar”, completa Rafael.

Alkmin lembra também da questão do estereótipo da programação, visto por muitos como “coisa de nerd”. “As pessoas ainda têm uma ideia muito deturpada do que é programar. Talvez com iniciativas como essa seja possível divulgar a programação para os amigos e mostrar que não é algo difícil e também é muito útil”.

A questão da profissão

Ian, que pretende prestar vestibular para Engenheria da Computação ou Ciência da Computação, acredita que a programação está deixando de ser um estudo avançado para ser aprendida cada vez mais cedo. “Normalmente programação é algo que você aprende na faculdade, quando já é tarde demais. Mas diferente do que muitos pensam, existem pessoas que querem programar desde cedo para, no futuro, criar seu aplicativo, jogo, serviço ou mesmo estudar o assunto com mais profundidade”, opina.

Contudo, Rodrigo Assirati, coordenador de tecnologia educacional no Colégio Porto Seguro, defende que nem sempre estudar programação significa escolher os códigos como profissão. “Não acredito que ensinar programação direcione os alunos para o mercado de tecnologia em nenhum sentido. A programação empodera o estudante de conseguir usar a tecnologia para se expressar e não ser só um consumidor passivo. Ele vai ser um desenvolvedor ativo”, afirma.

“Independentemente da profissão que o aluno escolher, ele sabe que vai poder dialogar de uma forma melhor com a tecnologia porque ele compreende o processo pelo qual ela foi envolvida”, completa.

A programação nas escolas

Apesar de parecer um sonho distante, o ensino de programação nas escolas começa a ganhar corpo. No Colégio Porto Seguro, por exemplo, os alunos podem entrar em contato com os códigos em quatro momentos: oficina extracurricular, aulas de robótica extracurricular, aulas de tecnologia curriculares e um curso de tecnologia criado pelos próprios alunos.

Katia Gianone, diretora de comunicação e cidadania da Microsoft Brasil, lembra, porém, a lacuna deixada na maioria dos colégios, principalmente os da rede pública. “Seria muito legal conseguirmos inserir a programação no currículo das escolas, porque isso só vai fortalecer a educação do jovem. A programação estimula raciocínio lógico, amplia o conhecimento de tecnologia e aumenta as oportunidades de emprego”, afirma.

Além de colégios particulares que incluem a programação na sua grade, atualmente já existem escolas brasileiras voltadas para o ensino de programação para crianças e adolescentes, como a SuperGeeks. Porém, se você não for criança ou adolescente ou não quiser pagar por um curso, pode experimentar ferramentas gratuitas como o Code.org, Codeacademy, Scratch,Try Ruby, Code School, Hackasaurus e o Dreamspark, da própria Microsoft.

Fonte: OLHAR DIGITAL